segunda-feira, 8 de junho de 2015

memórias

A noite me faz pensar. E me fazendo pensar, me faz lembrar. Me faz lembrar dos momentos que passamos juntos, me faz lembrar das noites em que a sua insônia não te deixava dormir e eu era a única pessoa que você encontrava online para conversar, para te fazer companhia. A noite me faz lembrar do dia ensolarado em que eu deitei em seu ombro e você se aconchegou em mim e juntos observamos as pequenas ondinhas daquele lago largo no meio do nada. A noite me faz pensar naquele dia em que você me ligou só para ouvir minha voz e dizer que estava com saudades, e que havia subido no alto de uma montanha só pra pegar um pouco de sinal no seu telefone. 
As noites são sempre assim, nostálgicas. Ao menos o que tenho são lembranças boas. Memórias que merecem ser guardadas e relembradas independente da veracidade delas naqueles momentos. Tudo que importa agora é que tudo isso aconteceu. Não importa se você estava sendo sincero e dando tudo de si, ou se você estava fingindo. Vou fingir que foram verdadeiras, pois foram únicas.
A noite é gostosa, apesar de trazer dor. As lembranças são boas, são bonitas. Mas são como Rosas. São bonitas, cheiram bem, mas se você pegar de mal jeito pode espetar seu dedo em um espinho. E minhas memórias são assim, delicadas, deliciosas, mas machucam, cortam como faca e espetam como espinho. E se não souber manuseá-las, as vezes pode ser fatal. Mas o que é fatalidade se tratando de memória? 
É fatal quando se pode lembrar e não se pode reviver. Quando se pode imaginar, mas não se pode voltar atrás e sentir tudo aquilo de novo. É como um vento em dia de chuva, você sente, mas não pode pegar. Rápido, ele vai embora e você sente as gotas de chuva fina caindo sobre sua pele. 
As vezes isso te faz sentir vivo, outras vezes, o contrário.  

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Aonde quer que eu vá, aonde quer que eu esconda, lá está você, me olhando com os olhos estreitos, vigiando cada passo meu. Você foi embora, ou ao menos seu corpo foi. Mas você insiste em ficar, você insiste em deixar sua alma aqui, sua presença. Eu te matei, te enterrei e joguei fogo. Assassinei a sangue frio, e agora você fica aqui? Vai me perseguir? Eu não achava que fantasmas realmente existiam. Eu sempre achei que eu era louca, mas não sou. Tenho lastimado sua perda, tenho vivido o luto da sua morte. Só assim para eu continuar vivendo sem pensar em você do outro lado conversando com outras pessoas, dividindo sua atenção, dando um pouquinho do seu tempo pra qualquer um que não seja a mim. Só assim pra eu colocar na minha cabeça (ou ao menos fingir que coloquei) que você se foi pra sempre e que acabou, que não tem volta. Isso tudo me corrói por dentro de uma forma inexplicável. É uma dor que não passa. Ela está sempre lá, mesmo que as vezes eu não a sinta. Eu sei que ela está lá, porque se eu paro de lastimar sua morte, eu começo a lastimar seu adeus e isso machuca. Tenho sorrido, saído, conhecido outras pessoas, mas é incrível a falta que você me faz. Eu nunca imaginei que um dia eu teria que falar para mim mesma que a unica saída era ter sangue frio e te matar. Te arrancar de mim. Talvez esse luto dure dias, meses ou até mesmo anos. Eu só quero acordar um dia e ver que você já não é mais um buraco, um algo faltoso no meio do peito. 
Talvez esse seja mesmo o fim. Talvez eu tenha mesmo que te tirar de dentro de mim. Talvez eu tenha mesmo que te ressuscitar e lastimar o seu adeus. 

Ou talvez eu possa continuar fingindo que você morreu e que talvez daqui dez anos você volte, e eu finja que eu também renasci, e que estamos em outra vida, e que podemos tentar vivê-la de novo. Talvez um dia você acorde e pense em mim, e sinta minha falta e perceba a vida que você jogou fora ao me deixar aqui... sozinha. 

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Mancha

A falta que faz um alguém
Uma mancha negra
Que na calada da noite 
Se instala na alma
Inocente
Como quem não quer nada
Se espalha feito doença
Agride feito assassina
E pouco a pouco
Toma a vida
De quem menos merecia
Ecoando no silencio
Com gritos entorpecidos
A voz que silencia
Na alma que se incendia
De um amor
Que já não mais merecia
Cada vez mais escura
Como um buraco
Larga como um rio
Pra sempre entalhada
Como tatuagem de agulha
Dormente, apodrecida,
Dolorosa, uma ferida
Sem cura nem medicação
Eterna como a lua
Como a fragilidade
De um coração

terça-feira, 26 de maio de 2015

nós


Deitados em panos finos, nossos olhos se encontravam
Cabeça no peito, dedos entrelaçados
O café quente na penteadeira e uma pilha de livros ao lado
Na janela as estrelas brilhando e a lua sorrindo
Era para nós
Todo aquele louvor daquela noite clara
Daquela sexta feira cinzenta e fria
O calor que eu sentia enlaçada em seus braços
Pouco me importava o que havia lá fora
Era só nós
E a luz da lua reluzente em seus olhos
Seus lábios molhados de beijos e sujos de batom
Aquele vermelho que você tanto gostava
O moletom velho para me esquentar
Era seu e me aconchegava
Era nosso
Naquele quarto escuro
No quinto andar daquele apartamento velho
No centro daquela cidade histórica
Éramos nós
E ninguém mais.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

E se me perguntarem o que fiz naquela manha de domingo que acordei suja de lagrimas, não saberei responder, pois não me lembro como me sujei não me lembro de ter realmente acordado.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Era você, entrando naquela sala, se não me engano, era dia 8 de fevereiro de 2012. Eu vi você entrar e meu mundo virou do avesso.
Nunca fui fã de contos de fadas, nunca fui fã de amores a primeira vista. Mas eu não tenho porque mentir, que, naquele exato momento, no primeiro segundo em que eu te via, algo dentro de mim me dizia que aquilo ali era para sempre. Você sabe que não me deixei levar fácil. Você sabe que durante quase seis meses da minha vida eu tentei me afastar, tentei me manter distante. Pensei até mesmo em sair dali. Mas era uma ligação tão forte e inexplicável que a unica coisa que fazia sentido era continuar ali, olhando você, quantas vezes fosse possível ter o prazer da sua presença.
E foi assim por muito tempo, foi assim até eu não aguentar mais e ter que te dizer exatamente como eu me sentia. E eu disse, com medo de que aquilo fosse arruinar tudo que eu havia construído com você. Não arruinou. Ao contrário. Melhorou.
E não há um dia em minha vida que eu não sinta a sua falta, que eu não lembre de todas as vezes que você me chamou pra conversar, que tivemos horas e horas de um papo tranquilo, sobre coisas que eu não conversava com qualquer um. Era você e ninguém mais. E continua sendo você. 
Eu duvido que nunca tenha sentido a força dessa ligação entre você e eu. Duvido que nunca tenha percebido e admitido pra si mesmo que aquilo ali não era qualquer ligação. Que não era apenas uma amizade como as outras. Você sentiu, eu sei que sentiu. Você confiou em mim segredos, confiou em mim seus sentimentos sobre si mesmo, suas angustias, suas fraquezas. Você confiou em mim. Apesar de tudo, sei que você também acredita em tudo isso. Só lhe falta coragem.
Coragem tem sido a chave nesses últimos anos. Precisei de coragem para me abrir sobre meus sentimentos e precisei de mais coragem ainda para ouvir o que você pensava sobre eles.
Precisei de coragem quando você se afastou, quando você tinha alguém ao seu lado... coragem para continuar seguindo minha vida. Coragem para suportar tamanha dor.
Precisei de coragem quando você finalmente deu chance a nós. E precisei de coragem para ouvir todas as suas relutâncias ao que parecia o mais certo a se fazer. 
E foi aí que você começou a quebrar tudo, deixando apodrecer tudo aquilo que havia sido construído. 
E hoje, essa chave, a coragem, é o que me mantem aqui, escrevendo, cantando, conversando com as pessoas. É a coragem que me tira o egoismo de me abster da sociedade. Pois tenho coragem o suficiente para continuar enfrentando esses fantasmas. Coragem o suficiente para acreditar que tudo possa se consertar. Ou talvez, derrubar tudo que se apodreceu e reconstruir do zero.
A vida passa mais rápido do que a gente imagina. Mas do que adianta ouvir "o tempo voa, aproveite a vida", se você não estiver ao lado de alguém que realmente ama e que realmente valha a pena arriscar tudo apenas para estar junto? Não vejo sentido em viver uma vida sem você.
Chame de drama, chame de besteira, chame do que for. Mas eu chamo isso de amor.