sábado, 11 de janeiro de 2014

lonely

E do nada ela acorda, suada e assustada, na noite escura de uma sexta feira, após chegar embriagada de uma noite maravilhosa ao lado dos amigos. Os fios de cabelo colados no rosto a trazem lembranças, mas não era da noite, era do passado. Era de quando olhou pra frente e viu que sozinha não era fácil viver. Lembrou de como foi difícil ver que estava sozinha. Que quem ela mais amou, agora era um simples estranho. Levantou atordoada e foi tomar um banho frio, mesmo com o inverno lá fora, as gotas gélidas não conseguiram fazer ela sentir algo que não fosse dor. Sentia dor por não ter conseguido o que tanto queria. Sentia dor por ainda, depois de tudo, amar quem ela não devia. Dor. Suas lagrimas se juntaram as gotículas em seu rosto branco e sem vida. Era de se esperar ter noites assim depois de mandá-lo sumir de vez. Mas também era o melhor que já fizera. Ele agregava um valor enorme em suas noites, em suas conversas, mas quando ia embora, aquilo ali não valia mais. Seu valor era sua presença, longe disso, era um nada. Seus passos faziam ela se sentir rodeada de uma multidão. Seu olhar a instigava de maneira sombria, mas serena. Era como se estivesse olhando através do olhar de um cachorro que só era bravo porque fora maltratado. Sua voz era macia e suave e fazia ela se sentir aquecida. Tudo aquilo se tornou apenas lembranças na sua pobre mente agora já vazia. Seu coração não batia mais como antes, não era vívido. Era um simples bater enfraquecido, - sem vida -. Saiu do banheiro enxugando as lagrimas com a toalha, sem se importar em cobrir suas partes intimas. Aquele apartamento pequeno de dois cômodos só não era mais vazio pela presença de seu gato preto - que não era de todo azar -. Ela sempre achou que deveria ter feito mais, deveria ter falado mais, ter tido mais atitude, ter demonstrado mais. Mas não, isso não era o certo. Ela não devia ter feito nada, na verdade. Ele era só um homem de confusões, mistérios e filhadaputagem. Não servia pra ela. Ela era inteligente demais pra ter que aguentar tamanha trouxice. Talvez a inteligencia dele valeria a pena, mas como todos os outros, tinha duas cabeças. E a de baixo falava mais alto, e não era por ela. Era por essas gostosas-que-você-encontra-em-qualquer-esquina. E não era ao menos um pulsar de paixão. Era sempre e somente prazer, interesse e uma pitada de solidão.
Talvez a solidão dele fizesse ela o querer tanto. Toda solidão do mundo aclamava pela atenção dela. Era como um imã. Onde tinha solidão, tinha ela, a pobre jovem que depois de lutar tanto por seu grande amor, acabou desistindo por não ter mais forças pra aguentar tanto sofrimento. Nunca desistira de lutar, mas sim de sofrer. Pobrezinha, naquela noite, depois de vestir-se e deitar-se, acabou tomando muitas pilulas de sabe-se lá o que, e, deita com sua nudez. morreu em seu leito, com seu cobertor favorito, sua melhor playlist tocando, um cigarro queimando em cima da cabeceira da cama, e aquele livro aberto. O livro. O livro que tanto leu, tanto cheirou, tanto sentiu necessidade por trazer-lhe para perto o seu homem, mesmo que somente lembranças. Morreu, sozinha, já sem vida, sem cor. O que sobrou foram apenas músicas repetidas ecoando na vastidão do seu quarto pequeno, mas imenso por tamanha solidão.

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