terça-feira, 16 de outubro de 2018

é assim tão difícil, mas tão fácil de pensar
é que é assim que eu fico ao te lembrar
que eu sinto tanto em te sentir
saudade de ti que já não tá aqui

a saudade que dá ao te pensar
que no peito ecoa sem parar
da vontade de te lembrar
mas sentir tua lembrança....

é que já não faz mais parte aqui
o tempo já não é mais aquele lá
e a saudade não existe assim
e é o peito que não sabe calar

porque já foi e eu nem vi
e agora fico vendo onde não tem
é que depois de tanto lembrar
parece mesmo que já esqueci

e pra não mais sentir
tua saudade voou pra longe, assim
pra tão longe de mim, não é
mas é que dá saudade

saudade de sentir, de lembrar
saudade de ter no que pensar
não é saudade de você, não
é saudade de amar
alguém.

(bg)

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

nota:  Há muito tempo não escrevo. E pensei que seria melhor deletar tudo o que havia escrito antes. Mas daí pensei novamente, porque eu apagaria minha história? Não, não vou fazer isso. Vou continuar daqui, e talvez esse texto não saia exatamente como planejado. Muito tempo depois cá estou eu, e talvez eu passe muito tempo sem escrever, novamente, após terminar isto daqui, mas senti uma vontade absurda de falar um pouco, mas não quero falar para ninguém, quero falar para mim. Comigo.



Eu acordo todos os dias e sinto como se faltasse algo. Não me sinto triste, mas é como se algo estivesse errado. E hoje, viajando em idéias absurdamente loucas, e após assistir um filme de romance bem cliché, eu percebi o que faltava. Eu sinto falta de estar apaixonada. E talvez escrever isso pareça fácil, mas realmente não é. Há muito tempo atrás me apaixonei por um homem, e ele era tudo pra mim (ps: só voltar um pouco os posts pra perceber o quanto eu o amava), eu não sabia viver para outro alguém, ou para outra coisa, ele era tudo pra mim! E depois de vários enganos e desencontros, e muito sofrimento por alguém que na verdade nunca me amou, tudo acabou, e eu me acabei, e eu chorei, eu fiquei mal... Mas enfim melhorei, e depois de dois anos foi que eu olhei pra trás e vi que nada daquilo valia a pena. Eu percebi o quanto eu estava cega, o quanto aquele amor me cegava. A parte do amor nunca foi mentira, nunca foi falso, e nunca foi pouco. Foi muito, muito até demais. E talvez seja por isso que não tenha dado certo. Eu doei muito de mim - talvez tudo de mim - e ele nem sequer se importava comigo desta forma - talvez de forma alguma. 

Eu sempre achei que ele seria o grande amor da minha vida e que dali pra frente eu não precisasse de mais nada. Que eu poderia enxergar o meu futuro ao lado dele, sem enxergar como seria o meu futuro comigo mesma. 
Mas hoje, três anos depois eu sinto como se eu finalmente estivesse livre. Sabe porquê? Não é porque eu me sentia presa com ele. Mas eu estava presa e não sabia. Presa em uma personalidade que não me pertencia completamente. Meu primeiro amor real foi a forma da qual eu aprendi a amar alguém, mas sem me amar primeiro. E sem me amar primeiro eu não pude descobrir quem eu realmente era. E hoje? Eu sei? Sim, talvez não cem por cento, mas eu me descobri de formas que talvez eu jamais tivesse descoberto se aquela situação nunca tivesse terminado. Hoje eu me sinto livre. E eu me sinto feliz, até. Mas realmente falta algo, e esse algo é: estar apaixonada. A gente sofre, muitas vezes, mas é tão bom ter alguém a quem amar. Ainda mais depois que você descobre quem você é. Hoje eu gosto de mulheres, e talvez eu nunca vá gostar de um homem de novo. E eu me sinto leve - finalmente!! - ao dizer isso. Não sei explicar. Era algo que sempre esteve dentro de mim, mas, eu nunca fui capaz de expor, nem pra mim mesma! 

Mas eu quero me apaixonar. Eu quero amar alguém que me ame. Pelo que eu saiba, eu nunca fui amada desta forma, nunca ninguém se apaixonou verdadeiramente por mim. Eu não sinto pena de mim mesma. E talvez esse tipo de sentimento e pessoa apareça quando eu menos esperar, sim, é uma possibilidade, mas e se nunca aparecer? Eu não procuro freneticamente, mas eu também não fico parada.



Eu sinto falta de amar, e sinto falta de ser amada - apesar de nunca ter sido.

















ps: escrevi e não vou revisar, porque foi assim que saiu de mim.