quarta-feira, 27 de maio de 2015

Mancha

A falta que faz um alguém
Uma mancha negra
Que na calada da noite 
Se instala na alma
Inocente
Como quem não quer nada
Se espalha feito doença
Agride feito assassina
E pouco a pouco
Toma a vida
De quem menos merecia
Ecoando no silencio
Com gritos entorpecidos
A voz que silencia
Na alma que se incendia
De um amor
Que já não mais merecia
Cada vez mais escura
Como um buraco
Larga como um rio
Pra sempre entalhada
Como tatuagem de agulha
Dormente, apodrecida,
Dolorosa, uma ferida
Sem cura nem medicação
Eterna como a lua
Como a fragilidade
De um coração

terça-feira, 26 de maio de 2015

nós


Deitados em panos finos, nossos olhos se encontravam
Cabeça no peito, dedos entrelaçados
O café quente na penteadeira e uma pilha de livros ao lado
Na janela as estrelas brilhando e a lua sorrindo
Era para nós
Todo aquele louvor daquela noite clara
Daquela sexta feira cinzenta e fria
O calor que eu sentia enlaçada em seus braços
Pouco me importava o que havia lá fora
Era só nós
E a luz da lua reluzente em seus olhos
Seus lábios molhados de beijos e sujos de batom
Aquele vermelho que você tanto gostava
O moletom velho para me esquentar
Era seu e me aconchegava
Era nosso
Naquele quarto escuro
No quinto andar daquele apartamento velho
No centro daquela cidade histórica
Éramos nós
E ninguém mais.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

E se me perguntarem o que fiz naquela manha de domingo que acordei suja de lagrimas, não saberei responder, pois não me lembro como me sujei não me lembro de ter realmente acordado.